Na segunda-feira, a Comissão Federal de Comunicações (FCC) atualizou sua lista de equipamentos inseguros, explicando os motivos para incluir todos os roteadores de uso doméstico fabricados fora dos Estados Unidos.
Na prática, isso impediria a importação de roteadores fabricados no exterior, a menos que seus fabricantes obtivessem uma isenção, devido ao que a FCC classificou como um “risco inaceitável para a segurança nacional dos Estados Unidos ou para a segurança e proteção dos cidadãos americanos”.
Aplaudimos as decisões que aumentam a segurança das pessoas, mas esta levanta algumas questões sérias.
Quase todos os roteadores
Praticamente todos os roteadores para o mercado de consumo são fabricados fora dos Estados Unidos, incluindo aqueles comercializados por empresas americanas. Isso não representa um problema imediato, pois a proibição se aplicaria apenas a importações futuras. Os produtos já em uso ou atualmente à venda poderiam continuar sendo utilizados.
Mas, como não há roteadores fabricados nos EUA prontamente disponíveis, as pessoas podem continuar usando dispositivos mais antigos e menos seguros por mais tempo do que o normal, devido à falta de alternativas. Isso significa que roteadores que chegaram ao fim da vida útil (EOL) podem continuar em uso sem atualizações ou suporte.
O verdadeiro perigo
Embora faça sentido examinar minuciosamente os roteadores não confiáveis em ambientes governamentais e de infraestrutura crítica, não creio que a proibição dos roteadores SOHO (pequenos escritórios e escritórios domésticos) venha a ter um grande impacto na segurança nacional.
À primeira vista, pode-se pensar que essa medida visa derrubar algumas das principais redes de bots que se proliferavam em dispositivos conectados à internet, como câmeras, roteadores e gravadores de vídeo. E a Decisão de Segurança Nacional realmente menciona essas redes de bots.
Mas, na maioria dos casos, o motivo pelo qual esses roteadores podem ser usados em botnets não é o fato de terem sido fabricados no exterior, mas sim porque são fornecidos com credenciais padrão e instruções pouco claras sobre como alterá-las.
Roteadores não confiáveis podem levar à espionagem e a ataques de negação de serviço em momentos críticos, especialmente quando os países de origem possuem leis que exigem a inclusão de backdoors (como a China). Nesses casos, faz sentido evitar esses roteadores em organizações que sejam “essenciais para manter comunicações operacionais, infraestrutura crítica e serviços de emergência”.
Mas muitos roteadores são fabricados em países que não possuem tais leis e onde há pouco a ganhar com a espionagem estatal dirigida aos consumidores norte-americanos.
Medidas alternativas de segurança
Antes de comprar um novo roteador, verifique com seu provedor de serviços de Internet (ISP) quais modelos são compatíveis com os serviços oferecidos. Muitos ISPs publicam listas de modems aprovados e, às vezes, de dispositivos gateway, mas geralmente permitem que os clientes utilizem seus próprios roteadores independentes, desde que se conectem via Ethernet sejam compatíveis com o tipo de conexão WAN (DHCP, PPPoE, tags de VLAN, etc.).
Na prática, o melhor roteador para a segurança nacional não é aquele com o selo “Fabricado nos EUA”, mas aquele que recebe correções assim que uma vulnerabilidade é divulgada.
Se você tiver condições financeiras e ainda não o fez, atualize para o Wi-Fi 7 para garantir que sua configuração esteja preparada para o futuro, enquanto os modelos atuais ainda estão disponíveis nas lojas.
Você também deve:
- Altere as credenciais padrão do seu roteador para algo mais difícil de adivinhar.
- Consulte o site do fornecedor para obter atualizações e confirme a data de fim de vida útil.
Para usuários com conhecimentos técnicos, substituir o firmware do fabricante por alternativas de código aberto, comoo OpenWrtouo DD-WRT, pode prolongar a vida útil segura do roteador. No entanto, isso acarreta riscos, incluindo a perda da garantia ou a possibilidade de o dispositivo ficar inutilizado. Você só deve fazer isso, ou solicitar que seja feito, se tiver experiência em resolver problemas técnicos.
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