Esta semana, no podcast Lock and Code...
Uma situação terrível ocorre com demasiada frequência sempre que um idoso é vítima de um golpe: a culpa recai sobre ele. Não sobre os golpistas que mentiram e roubaram o dinheiro da vítima. Não sobre as autoridades por não conseguirem recuperar os fundos. Nem mesmo sobre as grandes empresas de tecnologia, que poderiam desempenhar o papel mais importante na proteção das pessoas na internet — e que, ao que parece, lucram conscientemente todos os anos com fraudes.
Em vez disso, são as próprias histórias dos idosos que muitas vezes são deixadas de lado devido a uma combinação de preconceito contra a idade e negação. Supostamente deixados para trás pela tecnologia, só um octogenário entregaria sua senha em um esquema de phishing, abriria um anexo de e-mail enviado por um desconhecido ou enviaria dinheiro para uma instituição de caridade falsa na internet. Todos os outros, segundo a crença geral, são experientes demais para cair nessas armadilhas.
Os dados não confirmam isso.
Quando Malwarebytes essa questão no ano passado, descobriu que, dependendo do tipo de golpe — especialmente em casos como a “sextorsão” —, os jovens eram muito mais propensos a relatar terem sido vítimas. Além disso, uma análise mais aprofundada dos dados da Comissão Federal de Comércio dos EUA revelou padrões totalmente distintos. Por exemplo, embora os americanos com idades entre 80 e 89 anos tenham relatado a maior perda média devido a fraudes em 2024, eles também representaram a menor parcela da população a relatar qualquer tipo de perda. E em 2025, esse mesmo grupo representou a menor parcela de casos relatados de roubo de identidade, um crime muito mais provável de ser relatado por pessoas entre 30 e 39 anos.
É válido questionar quem denuncia quais crimes e com que frequência, mas é importante ter uma visão geral: os americanos perderam pelo menos US$ 15,9 bilhões em fraudes no ano passado. Proteger os idosos significa, na verdade, proteger a todos, e isso porque os golpes modernos não ocorrem apenas onde as pessoas com mais de 70 anos passam o tempo. Eles ocorrem onde todos nós estamos: online. Chegam por meio de mensagens de texto intermináveis, aparecem nas mensagens diretas das redes sociais e se aproveitam de qualquer situação em que qualquer um de nós possa se encontrar — ser viúvo, divorciado ou simplesmente uma pessoa solitária.
De acordo com Marti DeLiema, professora assistente da Escola de Serviço Social da Universidade de Minnesota, golpes e fraudes são hoje a forma mais comum de crime organizado em todo o mundo, rivalizando com o tráfico de armas, o tráfico de drogas, o tráfico de pessoas e o tráfico sexual. Somente em 2024, disse ela, a FTC estimou que idosos nos EUA tiveram até US$ 81,5 bilhões roubados. E as ferramentas destinadas a combater isso — amplas campanhas de conscientização do consumidor, mensagens de alerta integradas no momento da transação, treinamento de caixas de banco e funcionários de lojas — estão muito aquém do necessário.
Então, o que realmente funciona? E quem, se é que há alguém, está fazendo esse trabalho?
Hoje, no podcast “Lock and Code”, apresentado por David Ruiz, conversamos com DeLiema sobre quem está realmente sujeito a fraudes financeiras, por que as vítimas costumam descrever um golpe como uma forma de trauma de traição e por que as empresas mais bem posicionadas para impedir que mensagens fraudulentas cheguem aos consumidores podem ser justamente as menos motivadas a fazê-lo.
“Isso não é, de forma alguma, um problema de capacidade técnica. Trata-se de um conflito de incentivos.”
Sintonize hoje para ouvir a conversa completa.
Mostrar notas e créditos:
Música de introdução: “Spellbound” por Kevin MacLeod (incompetech.com)
Licenciada sob Creative Commons: Por Atribuição 4.0 Licença
http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/
Música de encerramento: “Good God” por Wowa (unminus.com)
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