Os golpistas praticam phishing onde quer que as vítimas estejam. No Reino Unido, isso significa Facebook, Instagram e WhatsApp, segundo o Lloyds Bank. O banco acaba de revelar que as plataformas da Meta são responsáveis por mais de dois terços das denúncias de fraude feitas por seus clientes.
Em artigo publicado no The Sunday Times, Liz Ziegler, diretora de prevenção de fraudes do Lloyds Bank, afirmou que 68% das denúncias de fraude feitas por seus clientes têm origem em uma plataforma de propriedade da Meta.
Os golpes abrangem desde ingressos falsos para shows e eventos esportivos até anúncios fraudulentos de carros, bicicletas, trailers, veículos para pessoas com deficiência e imóveis para aluguel. O Lloyds informou que os clientes relataram ter perdido cerca de 66 milhões de libras por ano após serem vítimas de anúncios fraudulentos nas plataformas da Meta, um aumento em relação aos 27 milhões de libras registrados em 2023.
O perfil demográfico das vítimas não é o que você imagina. O Lloyds afirma que os clientes com idades entre o final dos 20 e o início dos 30 anos — supostos nativos digitais — são os que mais denunciam golpes.
O Lloyds não é o único a apontar o dedo à gigante da tecnologia. Em 2023, o TSB informou que 80% das perdas nas suas três principais categorias de fraude tiveram origem nas plataformas da Meta.
A Meta afirma que está fazendo bastante
Um porta-voz da Meta disse ao The Sunday Times que a empresa:
“…removemos mais de 159 milhões de anúncios fraudulentos somente no ano passado, 92% dos quais foram retirados antes mesmo de alguém denunciá-los”.
Em outubro de 2024, a Meta também lançou o Fraud Intelligence Reciprocal Exchange para permitir que os bancos do Reino Unido compartilhem informações diretamente com a plataforma.
No entanto, uma investigação da Reuters publicada em novembro de 2025 revelou que documentos internos da Meta estimavam que cerca de 10% da receita publicitária da empresa em 2024 provinha de anúncios fraudulentos e de anúncios de produtos e serviços proibidos, ilícitos ou de baixa qualidade. Os documentos também estimavam que os usuários eram expostos a cerca de 15 bilhões de anúncios fraudulentos de “alto risco” por dia.
Em março deste ano, a Meta lançou novas ferramentas contra fraudes no WhatsApp, no Facebook e no Messenger.
Os advogados estão à espreita
Os escritórios de advocacia britânicos Richardson Hartley Law e Humphries Kerstetter estão coordenando uma ação coletiva em favor das vítimas que perderam dinheiro após clicarem em anúncios no Facebook Instagram.
O uso da IA da Meta por golpistas também introduziu uma nova dimensão nos argumentos jurídicos contra a empresa. Nos EUA, um juiz federal da Califórnia recusou-se a indeferir as principais alegações nos processos Bouck v. Meta e Forrest v. Meta, ações movidas por vítimas de fraude que alegam que os golpistas utilizaram as ferramentas de publicidade e IA da Meta para criar e otimizar anúncios fraudulentos. Os autores argumentaram que isso tornou a plataforma “uma verdadeira co-conspiradora na criação do conteúdo ilícito”. A Meta nega qualquer irregularidade, e os processos estão em andamento.
No mês passado, o Condado de Santa Clara entrou com uma ação contra a Meta, citando documentos internos vazados que supostamente mostram que a empresa faturava até US$ 7 bilhões por ano com os chamados anúncios fraudulentos de “alto risco”. O condado também alega que a Meta criou mecanismos para impedir que as medidas antifraude reduzissem excessivamente a receita publicitária.
Proteja-se
Mesmo que as empresas de redes sociais façam o possível para coibir anunciantes fraudulentos, elas não conseguirão identificar todos. Portanto, cabe a você ficar atento a possíveis atividades fraudulentas. Aqui vão algumas dicas:
- Trate os anúncios não solicitados nas redes sociais — especialmente aqueles que prometem ingressos difíceis de encontrar, retornos de investimento exorbitantes ou produtos com preços inacreditavelmente baixos — como algo que, por padrão, não é confiável.
- Pesquise os vendedores. O que mais eles vendem na plataforma? Eles têm um perfil consolidado?
- Pague com um cartão ou serviço que ofereça proteção contra estornos.
- Nunca pague por transferência bancária, criptomoeda, cartão-presente ou métodos de pagamento do tipo “Amigos e Família” ao comprar de alguém que você não conhece.
- Tenha especial cuidado quando uma Instagram Facebook Instagram tentar ser transferida para o WhatsApp. Essa mudança para um canal privado é uma manobra clássica de golpistas, que visa tirar a conversa do escrutínio público e do controle das plataformas.
- Lembre-se de que ver um anúncio em uma grande plataforma não significa que ele seja recomendado. Os golpistas costumam pagar para veicular anúncios ao lado de empresas legítimas.
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